Québec e uma paixão arrebatadora…

Eu nuuuunca tive uma super vontade de conhecer o Canadá. Lembro de quando era bem criança que minha prima tinha um livrão enorme sobre o país, e eu já me assustava com a quantidade de neve que via nas fotos (Não sei lidar com o frio gente! Sorry! Devo ter sido urso na vida passada). Como então fui parar em Québec?

Québec no inverno – Foto da minha amiga Leticia

Em 2013 uma das minhas amigas mais antigas e queridas casou e foi passar a lua de mel no Canadá. Eles se apaixonaram por tudo, e voltaram falando e planejando de ir embora.

Foi toda essa propaganda que começou a despertar em mim a curiosidade de conhecer esse país. Mas acontece que eu comecei a viajar para o exterior indo para a Europa. E aí né!? Tenho um crush no velho continente, e acabei deixando a América de lado.

Pois bem! Não é que no meio do ano passado a Leticia e o Lucas (casal citado acima) realmente foram morar no Canadá?! Portanto, meus motivos para ir ao Canadá cresceram exponencialmente.

Desde então comecei a planejar visita-los. Como sou professora, minhas férias são pré-determinadas. Em dezembro tínhamos combinado de nos encontrar nos EUA (por motivos de: ser menos frio), mas acabou que não deu certo o planejamento. E eu fiz o que? Fui para a Europa =p

Mas aí já tinha em mente que queria ir visitá-los em julho, nas próximas férias, e claro, no calor <3

Achei uma superpromoção da Aeromexico, e comprei sem nem pensar direito. Estava beeem mais barato que a média de preços para essa época (que é bem cara!). Maaas, o trajeto era o seguinte: São Paulo – Cidade do México (conexão de 10h) – Toronto (conexão de 12h) – Québec.

Bom, meus amigos moram em Toronto, e eu inocentemente achava que podia ficar por lá mesmo e “perder” o último trecho. Porém, minha prima que me disse que dava problema fazer isso, e fui pesquisar.

Se você não embarca na conexão, a companhia aérea entende como “no show”, e cancela todo o resto da sua reserva. (Portanto, não façam isso!).

Aí percebi que eu teria que ir mesmo para Québec. Então cheguei em Toronto a noite, e fui para Quebec no outro dia de manhã, para depois voltar para Toronto de novo a noite (confuso né!? Kkk acontece…).

Passei o dia na cidade, e teoricamente teria que passar mais um dia, na volta (Que tinha o mesmo trajeto: Québec – Toronto – Cidade do México – São Paulo). Então, por conta do pouco tempo, basicamente o que conheci em Québec foi o Centro Histórico, chamado Vieux-Québec (Cidade Velha).

Para sair do aeroporto para o centro, a melhor opção de transporte é o taxi (ou uber), que tem tarifa fixa para essa região (aproximadamente 35 dólares canadenses), e leva cerca de 20 minutos.

Aeroporto Jean Lesage (YQB)

A Vieux-Québec é dividida em Basse-Ville (cidade baixa) e Haute Ville (cidade alta). Cheguei pela Basse- Ville, onde o taxista me deixou na Place d’Youville, na Rue Saint-Jean, que marca a divisa entre a Colline Parlementaire (onde fica a sede do governo de Québec) e a Vieux-Québec.

No inverno essa praça se transforma em pista de patinação no gelo, entretanto na semana que cheguei, era onde estava instalado um dos palcos do Festival D’été de Québec, um festival de verão que sempre acontece no mês de julho.

Palco Hydro Québec – Festival D’été Québec

Dali passei pelo Porte Saint-Jean, um dos portões de entrada de Vieux-Québec, datado de 1694, mas que foi reconstruído algumas vezes. A cidade é toda murada, e é a mais antiga da América do Norte com esse tipo de fortificações. Dentro da muralha, quase todas as ruas são pavimentadas de pedra, bem característico dos séculos XVII e XVIII.

  Porte Saint-Jean

As fortificações de Québec contam com aproximadamente 4,5km de extensão, e é possível caminhar por cima delas. É um passeio turístico bem clássico, mas eu não fiz.

Québec foi toda planejada contra invasões, e além das fortificações, há também o Fort St-Louis (antigo forte) e a Citadelle (hoje sede de um regimento), que também são pontos turísticos interessantes para quem quer entender como a cidade foi construída. (Mas eu também não fui kkkk)

Pelo Porte Saint-Jean passa a Rue Saint-Jean, por onde segui, e que é muito conhecida por suas lojas, restaurantes e bares. É bastante turística, mas também é popular entre os locais.

Lá parei para comer meu primeiro poutine dos milhares que comi no Canadá. Também foi o mais diferente e mais gostoso, então anotem a dica:

Entrei em um pub irlandês chamado Chez Murphy’s Irish Pub, e pedi o Poutine Murphy’s. Gente, sério! Aquilo é de se comer rezando! =9

 Poutine Murphy’s – dá água na boca só de lembrar!!!

Depois de almoçar, continuei o passeio, e cheguei ao Hotel DeVille, uma construção belíssima de pedra, que foi erguida nos anos 1800 e bolinha, e hoje é a sede da prefeitura de Québec. No jardim em frente ao prédio tem aquelas fontes divertidíssimas no chão. Fiquei por ali um tempinho vendo as crianças brincarem nelas, e morrendo de vontade de brincar junto kkkkk.

Dali fui para a Basilique-cathédrale Notre-Dame de Québec, que é uma das igrejas mais antigas da América do Norte. Foi destruída por incêndios duas vezes, mas sua reconstrução está exatamente no mesmo lugar onde ela foi fundada.

Da catedral, subi para a cidade alta a partir da Rue du Trésor, onde tem algumas lojinhas de souvenir, restaurantes, e artes lindas vendidas na rua. Achei essa ruazinha um charme, e entrei nela meio que sem querer, mas recomendo que passem por lá.

Ao final da rua, a sua direita, encontra-se a entrada dos fundos do terreno onde está a Cathédrale Holy Trinity, que é a catedral da Diocese Anglicana de Québec, e foi a primeira catedral anglicana a ser construída fora das Ilhas Britânicas.

  Hôtel De Ville – fala se não da vontade de brincar nessa água também kkkk

Hôtel De Ville

Basilique-cathédrale Notre-Dame de Québec

Basilique-cathédrale Notre-Dame de Québec

Arte a venda na Rue du Trésor

Mais arte a venda na Rue du Trésor – amei essas!!!

Cathédrale Holy Trinity

Cathédrale Holy Trinity – altar

Da Holy Trinity finalmente cheguei ao famoso Fairmont Le Château Frontenac, cartão postal e símbolo de Québec. É um hotel com vista para o rio St. Lawrence, e que tem mais de 600 quartos. Ele está no Guiness Book como o hotel mais fotografado do mundo!

Foi construído no fim do século XIX imitando castelos europeus para agradar a elite da época, e já passou por diversas expansões. É possível entrar no hotel e conhecer, mesmo que você não esteja hospedado.

Quis conhecer só porque fiquei sabendo que Churchill e Roosevelt se reuniram lá secretamente para planejar a invasão da Normandia, em 1944.

O hotel é bem fancy por dentro, e tem restaurantes e lojas que são abertos ao público, e não somente aos hospedes.

Em frente o Château, e acompanhando as margens do rio St. Lawrence, está o Terrasse Dufferin. Um calçadão de madeira construído em 1879, e que tem uma vista linda. Fiquei um tempão lá só admirando e observando o movimento das pessoas.

Fairmont Le Château Frontenac

Terrasse Dufferin

Terrasse Dufferin

Ele termina aos pés do Plaines d’Abraham, que é um parque no local onde ocorreu a vitória dos ingleses contra os franceses, e que fez com que o Canadá se tornasse de domínio britânico. Diz a história que a batalha durou menos de uma hora.

Você pode subir a colina e ter uma vista linda da cidade. Só tome cuidado para não deixar seus pertences cair. Minha GoPro desceu rolando, e fui correr atrás dela, caí, e fui descendo de bunda também. HAHAHAHAH

Acabei ficando um tempão no Terrasse Dufferin e no Plaines d’Abraham, e não fui conhecer outros lugares que tinha em mente. Mas achei incríveis aqueles lugares, e por isso quis ficar um pouco mais ali só curtindo aquela paz de espirito e coração quentinho que eu estava sentindo!

Por fim, retornei a Place d’Youville, mas no caminho parei na gelateria NYM, na Rue du Trésor só para me despedir deliciosamente de Québec.

NYM Gelato

Acabei voltando com folga de tempo para o aeroporto, então dava até para ter aproveitado um pouquinho mais, mas achei melhor prevenir. Cuidado esse que não tive na volta ><.

Vacilei com o tempo e perdi o voo de Toronto para Québec no último dia. Ia chegar cedo e ia dar para passear um pouco mais, mas acabou que meu voo remarcado chegou lá com pouco tempo até o horário do voo de volta, então perdi o passeio, e só fiquei no aeroporto comendo poutine (Aloka do poutine!).

Mesmo assim eu simplesmente tive uma paixão arrebatadora por Québec! É sério, gente! Não esperava nem metade do que vi, e olha que não vi quase nada!

Sabe aqueles amores de verão!? É assim que me sinto com relação a Québec, que é meu mais novo crush em forma de cidade.

Vista incrível lá de cima do Plaines d’Abraham – e uma paz maravilhosa!!!

Ficou só o gostinho de quero mais, e o motivo para voltar e ficar mais dias por lá. Tenho certeza que ainda irei outras vezes ao Canadá. <3

Thayz Figueiredo

Thayz Figueiredo

Professora de Educação Física e Psicóloga. Gosta das histórias dos lugares e das pessoas. Ama shows de rock, livros e um bom hambúrguer.

More Posts