Sobre Paris e corações partidos

Como viajar para Paris, a cidade mais romântica do mundo, me ajudou a passar pelo término de um relacionamento?

Tenho encontrado e conversado com varias mulheres que terminaram relacionamentos, sejam eles namoros, noivados ou mesmo casamentos. Términos de todos os tipos, desde aqueles mais “tranquilos” àqueles horríveis que deixam só muita raiva e rancor, e nenhuma boa lembrança (não foi meu caso, ainda bem).

Algumas dessas mulheres pularam no mundo, logo após. Muitas outras sentem um enorme receio de fazerem as coisas por sua própria conta, como viajar sozinhas, por exemplo. Receio de serem julgadas, de ser estranho, de se sentirem solitárias… É relativamente comum ouvir, “mas como vai ser agora?”

Em 2016 terminei um relacionamento longo, e é sobre quebrar essas barreiras que quero falar nesse post.

Estava próximo das férias, para as quais eu não tinha nenhum planejamento, que não contemplasse ler o maior número de livros possível (e não tem nada de errado com isso, tá?!). Minha mãe, lindíssima, não queria que eu ficasse sozinha. Pois achou que eu acabaria me sentindo muito triste, caso ficasse “desocupada”.

Ela então sugeriu que eu fosse para Natal, para ficar com a família. Na época eu tinha cerca de 10 dias de férias só. E a passagem estava custando uma média de 1200 reais. Achei que não compensava (visto que já paguei menos de 250 em passagem para lá, ida e volta).

Não me animei, mas prometi pesquisar mais e ver se encontrava mais barato. Acontece que nessa busca, apareceu uma promoção para Paris, a passagem custando quase o mesmo preço.

Minha prima estava passando uma temporada morando lá. Então perguntei se ela podia me receber, e ela topou na hora.

Pronto, fechou! Mãe, não vou pra Natal, porque vou pra Paris. =D

Em menos de meia hora, eu tinha meu ticket da passagem no e-mail, e procurava pelas gavetas, o passaporte guardado sem uso desde o início de 2014.

Partiu Pariiiiis

Então, pouco tempo depois do término, eu tinha algo completamente maravilhoso em minhas mãos, e que eu precisava elaborar com cuidado, para que fosse perfeito.

Minha empolgação em organizar tudo que eu precisava me ajudou a me manter ocupada. Desde roteiro, até comprar mala. Porque naquele momento me dei conta de que, morando sozinha, eu não tinha uma, já que sempre usava dos meus pais.

Eu não estou dizendo que você não deve viver o luto dos términos, e elaborar a situação. É bem ao contrário disso, inclusive. O luto é importante e faz parte do processo, mas eu escolhi vivenciar o meu explorando as novas possibilidades a minha frente.

Consegui ver que eu conseguia sim planejar e fazer acontecer aquela viagem, tudo sozinha. Em pouco tempo (dois meses), e com relativamente pouco dinheiro.

É claro que o fim do namoro estava latente, doía (e doeu ainda por um tempo). Mas a expectativa da viagem me fez enxergar o mundo e a vida com uma nova perspectiva.

E isso foi só o início. Na viagem propriamente dita, tive a chance de passar mais tempo com minha prima, de quem sempre fui muito amiga. Mas a gente não se via há vários anos, por conta da barreira geográfica.

Por mais que eu passasse o tempo todo sozinha, na maior parte dos dias, porque ela estava trabalhando, a companhia foi imprescindível. Os momentos que passamos juntas nesses dias deixou recordações que nós guardamos com carinho. (Mesmo as do dia em que quase ficamos “presas” na rua, porque o metrô estava para fechar, e não tínhamos baterias nos celulares pra chamar um Uber kkkk).

Eu e a Prima <3 – Pont Neuf

Mas como eu disse, fiquei bastante tempo sozinha também. E além de poder explorar cada cantinho de Paris da forma que bem quis, pude apreciar minha própria companhia e perceber o quanto gostava dela.

Sem contar que ressignifiquei Paris, que é encantadora, claro. Mas quando a conheci pela primeira vez, achei totalmente superestimada (mais pra frente vou contar dessa trip em algum post). Pude ver de outra forma a cidade-luz, e me apaixonar por ela, como a maioria das pessoas.

A cidade, além de romântica e linda, conta muita história, é muito cheia de cultura, de povos, de arte, museu, crepe com Nutella, e de tudo que possa fazer um cafuné em um broken heart.

Essa experiencia também me permitiu enxergar o término “de fora”, com um certo distanciamento, de maneira mais racional, e até mesmo crítica. E percebi que foi algo necessário, e importante para os dois. Esse distanciamento também abriu espaço para novas formas de pensar.

A viagem me trouxe principalmente muito empoderamento, e me ajudou a ser a mulher que hoje tenho orgulho de ser. Se eu nunca tivesse feito essa trip, eu provavelmente seria outra pessoa nesse momento (não estou dizendo que seria pior, mas com certeza diferente. Também não estou dizendo que não gostava de quem eu era, mas mudei).

Paris em julho de 2016 foi completamente life-changing. E além de tudo acordou em mim o bichinho que se alimenta de viagens. rs. (eu já gostava, mas viajava bem menos, era um “gostar” contido).

Talvez esse blog não existisse, se não fosse por Paris jul/16. Provavelmente eu não teria encontrado no caminho as mulheres maravilhosas que me inspiraram a compartilhar a história que está nesse post. E isso é só a pontinha do iceberg do quanto essa viagem foi importante e transformadora. Espero e tento hoje em dia, encorajar o maior número de pessoas possível a desbravar os horizontes do mundo, e principalmente os seus próprios. E tudo isso teve início naquele dia em que comprei as passagens.

 

 

Vou finalizar esse post com um trechinho que vi ontem no instagram da @patchinpixels, e me identifiquei (sigam! É muita inspiração por quadradinho de foto):

“… não faço ideia quem foi que disse que mulheres sentem mais medo, que ficam mais presas ou que são mais frágeis. Será que alguém quer que a gente acredite nisso ou isso é mesmo verdade? (…) Eu não sei dizer em que momento eu passei a falar sobre empoderamento feminino (…) [mas] isso é algo tão natural e latente em mim que parece que estou traçando um novo caminho sem nem perceber. Um caminho cercado de mulheres incríveis que estão também descobrindo e explorando o seu…”

Esse post é para essas mulheres do meu caminho… <3

E, Paris, te serei eternamente grata por tudo isso =)

Merci =)

Thayz Figueiredo

Thayz Figueiredo

Professora de Educação Física e Psicóloga. Gosta das histórias dos lugares e das pessoas. Ama shows de rock, livros e um bom hambúrguer.

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