Hitchcock no MIS

MIS – SÃO PAULO

Antes de falar sobre a exposição do Hitchcock, atualmente em cartaz, quero primeiro apresentar o MIS.

O Museu da Imagem e do Som de São Paulo foi inaugurado em 1970. A ideia era construir um museu que preservasse e produzisse a imagem e o som. E que tivesse um caráter de museu moderno, utilizando como matéria a comunicação de massa, apoiada em recursos audiovisuais para, assim, ser um museu vivo.

Museu de Imagem e Som
MIS

Sua coleção possui mais de 200 mil itens, como fotografias, filmes, vídeos e cartazes.
Além de exposições, oferece também grande variedade de programas culturais, como cinema, dança, música, vídeo e fotografia, que estão presentes na vida diária do Museu.

Por exemplo, na programação fixa, destacam-se o Cinematographo, que conta com projeção de filmes mudos sonorizados ao vivo; o Dança no MIS, que traz ao Museu apresentações de dança contemporânea; o Estéreo MIS, espaço dedicado a fortalecer e estimular a atuação da música independente nacional; o Cine MIS, espaço permanente de lançamentos de curtas inéditos; e o Notas Contemporâneas, que coleta registros orais de artistas da música erudita e contemporânea com apresentação aberta ao público.

Nos últimos anos, o MIS se destacou ao trazer grandes exposições internacionais, além de idealizar outras de grande sucesso. Algumas delas que me lembro bem foram:

  • 2013 – Stanley Kubrick
  • 2014 – David Bowie
  • 2014 – Castelo Rá-Tim-Bum – A exposição
  • 2016 – O mundo de Tim Burton
  • 2017 – Renato Russo

Você foi em alguma?

QUEM É ALFRED HITCHCOCK?

Hitchcock
Hitchcock

Hitchcock foi um diretor e produtor britânico. Ele é considerado um dos cineastas mais influentes da história do cinema, e conhecido como “o Mestre do Suspense”. Sua carreira cinematográfica durou de 1919 a 1976, com diversos longas-metragens. Ele também ficou conhecido pelas frequentes aparições nos seus próprios filmes, o que mais tarde, outros cineastas viriam a repetir (Alô Tarantino, te amo, um beijo!).

Seu filme Blackmail, de 1929, foi o primeiro filme britânico falado. E 39 Degraus (1935) e The Lady Vanishes (1938) foram classificados como os melhores filmes ingleses do século XX.

Em 1939, Hitchcock mudou-se para os Estados Unidos, onde obteve muito sucesso na indústria cinematográfica. Foi indicado ao Oscar seis vezes como melhor diretor.

Uma das coisas que sempre me chamou atenção em seus filmes é a atmosfera psicológica em que são envolvidos. Complexo de Édipo, voyeurismo, medo de castração, obsessão, muito desejo e muita culpa, estão impregnados por quase toda sua obra. Assim, como psicóloga, e como não poderia deixar de ser, gosto muito.

Por isso, de cara me despertou a curiosidade de conhecer a exposição do MIS. Além de tudo, a fachada do museu, com a chamada “Hitchcock – Bastidores do Suspense” e sua foto, chama a atenção de qualquer um que passe pela Avenida Europa, e instiga a visita.

Hitchcock - Bastidores do Suspense
Hitchcock – Bastidores do Suspense

HITCHCOCK – BASTIDORES DO SUSPENSE

Eu fui duas vezes à exposição! Gostei, sim ou sim?

Na primeira vez fui com uma amiga, e a gente tinha cerca de 50 minutos para ver tudo, porque íamos ver um filme (O Iluminado – Stanley Kubrick) no Cinematographo (indico a experiência).

Se você é como Malu e eu, e quer absorver o máximo possível das exposições, saiba: 50 minutos é insuficiente!

Da metade para o fim a gente já não tinha mais tempo para ler tudo com atenção, e pulamos as duas partes finais e mais legais, na minha opinião: Os espaços dedicados aos filmes “Os Pássaros” e “Psicose”.

Por conta disso, voltei sozinha algumas semanas depois, e pude ver tudo com bastante calma. Recomendo, portanto, que visitem dessa forma.

Vou contar aqui então o que você pode esperar da exposição, que teve início em 13 de julho, e é curada pelo Ministro da Cultura de São Paulo. André Sturm também é cineasta e ex-diretor do MIS.

Sturm teve como motivação a vontade de homenagear Alfred Hitchcock. O primeiro grande cineasta a se tornar conhecido do público. Ficou tão popular, que virou adjetivo: hitchcockiano.

De acordo com o curador, Hitchcock também foi precursor de aspectos técnicos e estéticos que até hoje são estudados.

O estilo “hitchcockiano” inclui, por exemplo, o uso de movimento de câmera para emular o olhar de uma pessoa, tornando os espectadores em voyeurs, e  maximizar a ansiedade e o medo.

O cineasta preparava cada detalhe de seus filmes minucuiosamente, porque para ele tudo tinha uma função narrativa. Por isso, se ocupava de todas as etapas e processos de suas obras. Desde o pré roteiro, até a finalização e edição dos filmes, e até mesmo indicando como seria o design do pôster de divulgação.

Psicose - Hitchcock
Psicose

Só para se ter ideia, para a cena do assassinato em Psicose (1960), foram necessários sete dias de gravação e setenta posições de câmera, para gerar os 45 segundos do filme.

André Sturm buscou então, traçar um panorama da vida e obra do diretor. Trazendo uma forma imersiva e interativa que faz com que você se sinta no set de filmagem.

Para isso foram selecionados itens originais de coleções e acervos pessoais, e de instituições como a Biblioteca Margareth Herrick, de Los Angeles, detentora do acervo da Academy of Motion Pictures and Sciences, que é responsável pela entrega do Oscar. A biblioteca conta com uma grande coleção de fotos e manuscritos pessoais do cineasta doados por sua filha Patricia Hitchcock, e sua neta Tere O’Connell Nickel.

Entre os itens selecionados pela curadoria estão fotos, manuscritos, storyboards, croquis de figurinos, cartazes e materiais de divulgação dos filmes, matérias de jornais e revistas, material audiovisual, e diversos outros elementos.

    

Somente alguns filmes foram selecionados para receber um espaço interativo na exposição. Visto que Hitchcock tem um vasto catalogo de mais de 50 títulos.

Logo no inicio da exposição há um sugestivo teto com facas penduradas. Hitchcock aparentemente gostava bastante de matar seus personagens a facadas. (Em quais filmes você se lembra disso?). Há também um telhado em que você anda pelo meio, como no filme Ladrão de Casaca (1955), o milharal de Intriga Internacional (1959), um trenzinho que evoca A Dama Oculta (1938). O museu também reproduziu a visão que o fotografo Jeff tem de seu apartamento em A Janela Indiscreta (1954).

       Hitchcock MIS

 

Hitchcock MIS

Na sala dedicada a “Os Pássaros” – um dos pontos altos da exposição – uma projeção te dá a impressão de estar sendo atacado pelas aves que invadem San Francisco no filme.

E para coroar a exposição, o espaço reservado a Psicose reproduz a fachada do Bates Motel, e você pode participar de uma atividade interativa muito legal, mais ou menos nos moldes do Scape 360. Eu achei a ideia genial!

Hitchcock MIS

Além de tudo, a exposição está montada de uma forma que te deixa curioso para saber o que te espera no próximo corredor, e atrás de cada cortina. Ainda estou tentando entender algumas pessoas que conheço que não gostaram. Eu adorei!

Também está acontecendo no museu, durante o período da exposição, exibições dos filmes do diretor, de todas as suas fases (Acompanhe a programação, no site do museu). Hitchcock continua no MIS até 21 de outubro.

 

Informações

O MIS fica na Av. Europa, 158.

E funciona de 3ª a 6ª das 10:00 as 21:00 / sáb das 10:00 as 22:00 / dom. e feriados das 11:00 as 20:00

A entrada custa R$12 (R$6 meia entrada), se comprada diretamente no museu. No site ingresso rápido os valores são de R$20 e R$10, mais taxas.

Na 3ª feira, a entrada é gratuita.

 

DICA COMPLEMENTAR – MUBE

Você também pode aproveitar a visita e conhecer o MUBE – Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia, que fica exatamente ao lado do MIS (Av. Europa, 218).

MuBE
MuBE

O MUBE foi inaugurado em 1995 com o objetivo de divulgar os mais diversos segmentos da arte, priorizando a escultura e os suportes tridimensionais. 

O museu é uma construção mais ou menos subterrânea que se integra a um jardim (onde também há esculturas) projetado por Burle Marx.

Estão em cartaz até 04 de novembro, as exposições “O papel é inocente” de Marco Maggi, que é toda montada utilizando, advinha: somente papel. E “Exit” de Regina Silveira, com diversos labirintos.

A Entrada é franca, e o museu funciona de 3ª a dom das 10:00 as 18:00.

Thayz Figueiredo

Thayz Figueiredo

Professora de Educação Física e Psicóloga. Gosta das histórias dos lugares e das pessoas. Ama shows de rock, livros e um bom hambúrguer.

More Posts