Intercâmbio em uma folk high school dinamarquesa

Olá pessoal. Faz um tempo que não apareço por aqui. Mas hoje é um dia comemorativo para nós do Viajo. É comemorado o Dia do Profissional de Educação Física!

Por isso hoje vou contar um pouco sobre uma das melhores experiências que a faculdade de educação física me proporcionou: Um intercâmbio na Dinamarca!

To uns seis anos atrasada com esse post, já que fui para lá em 2011, e um dos meus maiores arrependimentos foi não ter feito nenhum tipo de diário ou registro da época. Por isso vou contar só com a memória e as fotos para ilustrar esse período. (Me perdoem se nesses seis anos algumas coisas já tiverem mudado tá?)

Meu intercâmbio foi em uma “folk high school” dinamarquesa. Pra começar, vamos entender o que é uma folk high school?

As folks high schools oferecem um ensino não formal, para jovens, geralmente entre 18 e 24 anos. Elas não exigem nenhum exame para entrar, mas garantem um diploma ao final do curso, que podem ser de seis meses ou um ano. Nessas escolas, os estudantes comem, dorme e passam tempos de lazer, além das aulas. Mas é comum os dinamarqueses voltarem para casa aos finais de semana.

Atualmente a Dinamarca conta com cerca de 70 folks high schools, e elas podem ser:
-Cristã ou espiritual
-Interesses gerais
-Ginástica e esportes
-Estilo de vida
-Escola para cidadãos mais velhos
-Escolas especializadas (música e artes)
-Para jovens de 16 a 19 anos

A minha, óbvio, era uma folk high school de ginástica e esportes, que mesmo após seis anos eu ainda não aprendi a falar o nome: Gymnastik- og Idrætshøjskolen Viborg

É da cultura dinamarquesa que após a escola e antes de ingressas nas faculdades, os jovens passem esse tempo nas folk high schools para “pensar o que querem fazer”. Sim, essa era a frase que a gente ouvia quando tentavam explicar pra gente esse conceito.

A verdade é que nem eles conseguem explicar direito o que são essas escolas. Outros países tentaram copiar esse métodos dinamarquês, mas não saiu igual.

Agora que vocês já entenderam melhor o que é um folk high school, vou falar mais sobre a minha experiência.

Me formei em educação física pela Unesp de Rio Claro em 2010, mas me mantive vinculada a universidade, por conta do projeto de extensão de Ginásticas. 2011 foi o primeiro ano que a Unesp conseguiu a bolsa de intercâmbio para os alunos, e eu e mais uma estudante fomos as contempladas.

A bolsa cobria a estadia e o estudo na escola, a mim, coube correr atrás de visto de estudante dinamarquês, que é tirado no Consulado da Noruega, no Rio de Janeiro. Passagens de ida e volta e uma taxa, que cobria a viagem de estudos ao sul da França (falarei dela em outro post).

Minha escola ficava na parte continental da Dinamarca, a cinco horas de trem da capital Copenhague. Viborg fica na península da Jutlândia, condado de Viborg. A cidade tem cerca de 44 mil habitantes e fica a uma hora de Aarhus, a segunda maior cidade da Dinamarca.

A pergunta que eu mais ouvia quando contava que ia para a Dinamarca era “que língua eles falam lá?”. Sim gente, é o dinamarquês, que é uma mistura de alemão, inglês e holandês.

“Ah, mas lá todo mundo fala inglês né?” Sim e não.

A maioria dos estudantes falavam sim inglês, e por isso foi possível interagir com quase todos. Alguns não falavam NADA de inglês, e ai a comunicação era só com gestos.

Nas aulas destinadas só aos internacionais (14 brasileiros e uma russa) era em inglês sempre. Mas nas aulas mistas às vezes rolava um esquecimento por parte dos professores e a gente tinha que se virar pra entender o dinamarquês.

As matérias eram oferecidas por grupos de esportes, e a gente optava por três diferentes por bimestre. Como na época eu já era pós graduada em ginástica rítmica, optei por ficar nessa área e escolhi dança, tumbling e claro, ginástica rítmica.

Mas era possível escolher matérias como corrida de orientação, MTB, caiaque, escalada, futebol, handball, basquete, vôlei….

A aula de tumbling era a coisa mais deliciosa desse mundo. Juro! Queria casar com ela hahahaha, mas ela também era MUITO puxada, a parte física.

A aula de ginástica rítmica era bem diferente. Lá eles não seguem o código de pontuação da FIG, e fazem mais por prazer do que como esporte de competição mesmo.

E a aula de dança era incrível, vários ritmos e coreografias por aula.

Além das disciplinas eletivas sobre esporte, a escola oferece também uma formação mais ampla, com palestras, aulas de violão, artesanato, massagem. Além de diversas atividades que complementam nossa estada lá.

A rotina era mais ou menos assim, o café da manhã era servido das 07:15 às 07:40. Às 07:55 todos os estudantes tinham que estar no auditório para o Morning Assembley, uma palestra de 20 minutos, sobre qualquer tema, que qualquer estudante ou professor podia ministrar.

Durante essa palestra nós também cantávamos. Todos recebiam um “sang book” no inicio e podia levar embora, tenho o meu até hoje. Algumas músicas eram em inglês, mas a maioria eram músicas dinamarquesas. Vou botar o link aqui da minha favorita, e vocês podem acompanhar o post ouvindo ela =)

Das 8:15 às 11:45 eram aulas diversas. Almoço ao meio-dia. Ah, aqui tem outro fato interessante. Todos os alunos ajudam no almoço e na janta por uma semana. Um quadro ficava no refeitório indicando quem seriam os ajudantes da semana. E era nossa função tirar os pratos, lavar, e arrumar a mesa da janta. Uma tarefa que todos faziam sem reclamar.

As aulas retornavam às 13:30 até as 17 horas. E o jantar era servido às 18:00.

Algumas semanas eram temáticas, e ai a gente realizava ações específicas. Não vou lembrar exatamente o nome do nosso tema, mas era sobre fazer algo bom para você e para os outros. O meu grupo realizou vários flashsmobs pela cidade. Foi uma experiência única.

Tivemos também a semana de estudos no sul da França, que vai receber um post só pra ela, além de uma semana de competições, “With your team behind you”, nela realizamos diversas competições, como vôlei, ginástica rítmica, atividades aquáticas e atividades outdoor. Eu fui a capitã da ginástica rítmica, e acabamos vencendo, tanto na ginástica quanto no geral.

As disciplinas também promoviam algumas viagens. E com a turma da dança fui assistir a uma apresentação de balé contemporâneo em Aarhus. Ficamos hospedadas na folk high school de lá e participamos de algumas atividades por lá!

Em outubro, todas as folk high schools de esportes fizeram um encontro com dois dias de atividades em Ollerup, uma viagem de umas 2 horas e meia. Pudemos rever alguns brasileiros que estavam fazendo intercâmbio lá e a troca de experiência foi muito legal.

Também em outubro, fizemos uma atividade no litoral dinamarquês, em Bjerghuse, banhada pelo Mar do Norte. A atividade consistia basicamente em realizar uma “caminhada silenciosa”, na qual andamos pela orla por 10 km em absoluto silêncio. Ao final foi nos permitido entrar no mar, mas como boa brasileira, o clima me impediu!

Aos sábados os grupos organizavam um “café”. Uma confraternização para os alunos que ficavam na escola, com comes, bebes e muita música. E pelo menos uma vez ao mês aconteciam grandes festas, algumas vezes temáticas e outras formais. Incluindo a festa de Natal!

Nem preciso falar que esses cinco meses na Dinamarca mudaram a minha vida né?

Foi a experiência mais louca e enriquecedora que eu já vivi.

Me perdoem a falta de precisão e detalhes, mas já faz seis anos que tudo isso aconteceu. Prometo voltar com outros post contando mais sobre esse país maravilhoso, a cultura, comida, e o que mais vocês quiserem saber, só comentar pedindo. Combinado?

Isabella de Vito

Isabella de Vito

Jornalista e profissional de Educação Física. Ama viajar e acompanhar o time de futebol em todos os jogos.

More Posts